Necessidade transforma vida de moradores em empreendedorismo
Populares contam como se tornaram comerciantes
Por: Jackson Félix
Assim como todo em qualquer bairro irregular, é muito difícil se ter estabelecimentos que atendam às necessidades básicas da demanda local. A falta de infraestrutura é um dos fatores que causa atraso e impede o desenvolvimento do comércio. Mas a inexperiência, a falta de moradia e acima de tudo a necessidade, fizeram com que alguns moradores do bairro Monte das Oliveiras dessem início à atividade mercantil no local.
Dona Matilde Aguiar, de 49 anos, que há dez anos mora no Monte das Oliveiras, foi uma das primeiras pessoas a abrir um negócio na região. Cansada de viver de aluguel, a ex-cabelereira resolveu comprar um terreno e abrir um negócio próprio. Como ainda não havia energia elétrica, fundamental para o funcionamento de um salão de beleza, resolveu mudar de ramo.
Mesmo sem nenhuma experiência, começou vendendo café da manhã, churrasquinho e roupas usadas, montando uma pequena feira da pechincha. Hoje ela vive apenas com a venda de bebidas e gêneros alimentícios em seu mercantil. Ela conta que no início o comércio era muito fraco. Os principais produtos consumidos pelos morados do bairro refletiam a falta de energia elétrica: velas e gelo vendiam feito água.
Outro empreendedor local é o comerciante Jurandir Fidélis, de 48 anos. Assim como a Dona Matilde, a princípio teve prejuízos, pois não tinha experiencia. “Comprei muita coisa errada que não tinha saída, e nesse ponto eu perdi. Então para não estragar a mercadoria eu mesmo consumia e aos poucos fui percebendo quais eram os produtos mais procurados, como gelo, ovos, salsicha, arroz, farinha etc”, explica.
Para ele, o apoio por parte do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) foi fundamental. Com as orientações recebidas, ele conseguiu manter o negócio e pretende ampliá-lo. “Não tinha controle nenhum de quanto faturava, mas hoje sei quanto lucro por mês”, comemora.
| Único mercantil do bairro a possuir alvará de funcionamento |
Apesar
de o comércio ser uma alternativa para os moradores da região, nem todos os
mercantes residem no local, como é o caso de Osvaldo Correia, que mora no Santa
Tereza, e há pouco tempo abriu seu negócio. Assim como outros comerciantes ele
também vende gênero alimentícios, mas, seu negócio principal é a padaria. “Todo
mundo quer comprar o pão de cada dia”, explica.
Ele ainda conta que mercadoria vem de outros bairros.
Na visão dos moradores, a comunidade tem seus pontos positivos e negativos com relação à atividade comercial, pois ainda falta muita coisa a ser feita. A falta de açougue, panificadora, sorveteria, pizzaria e outros estabelecimentos, faz com que esses moradores se desloquem a outros bairros em busca do que procuram.
Outro fator são os preços elevados, pois alguns produtos chegam a custar o dobro do valor real. “Uma margarina que em outros locais custa R$ 1,50, aqui custa R$ 3,00, eles (comerciantes) não têm noção de lucrar com 20 ou 30 centavos em cima do produto”, afirma Antônio Geraldo, presidente da comunidade.
Além dos pequenos comércios, o bairro também oferece serviços como os de pedicure e manicure, borracharia e igrejas de diferentes denominações.
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